Abriu ontem, 02 de março, ao público, na Casa da Terra, a exposição “Impressões” de Tomás Dias, a Exposição de Gravuras, pela mão do génio, mestre e impressor, Tomás Dias, de alguns dos mais notáveis Artistas, que passaram pela Escola Artística e Profissional Árvore.
Entre outros artistas, a exposição conta com “impressões” de Álvaro Siza Vieira e José Rodrigues e procura trazer para o público a “oficina” de Tomás Dias, numa busca “incessante de ensinar todos aqueles que queiram aprender a fazer gravuras, esta arte tão particular e tão única”, diz o autor. Estas “impressões” contam, neste espaço, com 30 impressões, “mas a exposição, no seu todo, contempla 50 artistas extraordinários e reconhecidos que trabalharam comigo ao longo destes 45 anos”. Assegura Tomás Dias que se trata de uma mostra técnica e não uma exposição artística, “são estampas ou recordações, que me foram dedicadas, que são provas de amizade, dedicação e trabalho. Fiz questão que fosse representado dessa forma, porque eu sou técnico com um bocadinho dos artistas que eles são”.
O autor explicou de forma pormenorizada a técnica da impressão em gravuras e permitiu aos presentes aprender e fazer a sua própria gravura.
Um momento cultural que o Presidente da Câmara Municipal de Celorico de Basto, José Peixoto Lima, olha com agrado pelas impressões brilhantes, que perspetiva “um mundo visto pelos olhos do nosso autor, o olhar de um génio ao nível do divino, que nos incita a olhar para o nosso património cultural e a perceber as suas múltiplas possibilidades artísticas. Possibilidades essas que serão esmiuçadas por aqueles que vivem a arte com profundo sentir, que vivem a cultura com entrega e veneração, que se agarram às marcas do território e as transformam em esplendor. É por tudo isso, que este concelho se alegra por esta exposição, pelo autor, pelas gravuras, mas também pelas parcerias que vamos criando e que serão absolutamente determinantes para a consolidação artística do concelho. Para a valorização da cultura, da arte, do património, sempre com as camélias como fonte de inspiração. A cultura é motor impulsionador de todas as civilizações desenvolvidas e exige-se que seja plural e diversificada para que não se perca o seu verdadeiro sentido e é por isso, que chegou a altura de sermos audazes e arrojados no caminho que queremos trilhar. Um caminho de parcerias com as nossas associações locais entrosadas com a Escola Artística Árvore, a casa do nosso autor, que nos deixará beber do seu saber-fazer, para que, em uníssono, possamos construir um projeto cultural absolutamente inspirador. Só com envolvimento, foco e certeza do caminho a trilhar conseguiremos desenvolver e consolidar o nosso projeto, com as camélias como fonte de inspiração”.
Um projeto maior, que arrancou com esta exposição de gravuras de um autor que Francisco Silva, Diretor da Escola Artística Árvore, considera um Mestre, “uma figura que marca e que está na escola desde a data da sua fundação, sendo esta a primeira escola associada da UNESCO, uma escola que soube olhar para a inovação e desenvolvimento na forma de ensinar, mas percebeu que era preciso manter as técnicas tradicionais e oficinas”.
Diz Francisco Silva que a escola contempla três princípios básicos que os distinguem das outras escolas: “a arte penetra tudo o que há na nossa vida, a formação em arte está sempre presente na nossa escola; depois percebemos que todos nós somos diferentes, e por isso, a nossa escola criou de raiz os programas dos nossos cursos, aprovados pelo Ministério da Educação; e por fim, percebemos que nós não inventamos nada, mas sabemos que aquilo que vamos buscar aos outros — da tecnologia, da ciência, da arte, das humanidades, de tudo — vai ser aplicado à nossa realidade, e a nossa realidade é o nosso território e são os princípios que nos identificam”.
Esta exposição estará patente na Casa da Terra até 30 de abril, um espaço que, no final do mês de janeiro, passou a integrar a rede de clubes UNESCO. A propósito da Casa da Terra integrar a rede de Clubes para a UNESCO, esteve presente na abertura desta exposição a coordenadora nacional pela rede de Clubes para a UNESCO, Anna Paula Orneche, que olha com agrado para esta iniciativa que conta com uma exposição da cooperativa Árvore, que “foi a primeira escola associada da UNESCO há mais de 40 anos. A UNESCO é educação, a educação é o pilar principal de todas as atividades da UNESCO: educação para a cultura, educação para a ciência, educação para a comunicação, educação para sermos um cidadão do mundo. A Casa da Terra vai estar mais centrada no património natural e imaterial, inicia hoje a sua atividade enquanto clube para a UNESCO, e nós cá estaremos para vos apoiar no âmbito das vossas atividades”.
Anna Paula Orneche diz que estará sempre na retaguarda, a prestar o apoio que for necessário: “a nível de património material podemos aconselhar-vos a candidaturas a que se possam candidatar, e podemos indicar exposições, reuniões, congressos, tudo aquilo que entenderem associar à comissão nacional”.
Este ano celebra-se o 20.º aniversário da convenção da UNESCO sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, uma excelente forma de iniciarem as vossas atividades, e celebram-se também os 80 anos da UNESCO, um desafio que vos deixo para assinalarem esta data através das vossas atividades.
Conteúdo atualizado em 10 de Dezembro de 2025
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